Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

II EXERCÍCIO DE ESCRITURA: Seminário 20/08/08


Programa de Pós-Graduação em Educação
Linha de Pesquisa: Filosofia da diferença e educação
Área temática: Fantasias de crítica-escrileitura
– Seminário Avançado –
Em busca do romance perdido: a obra como vontade, a vida como obra
Professora: Sandra Mara Corazza
Período letivo: 2008/2
Créditos: 04 Carga horária: 60h-a
Horário: 4ª feiras, 15h às 18h30min

II Exercício de Escritura
(preparatório à Aula 2: 08 dezembro 1979, p.35-66)

Indistinção/Poikílos
“Quando o objeto se apaga ou se esvai, em proveito da Tendência (Escrever), é evidente uma indiferença crescente à distinção dos objetos do Escrever, isto é, dos ‘gêneros’ da literatura” (p.35).

1) Ao modo de (autores citados na Aula 2)...
2) no livro (idem)...
3) considere os excertos de cada livro
4) e escreva sobre as temáticas e noções encontradas na mesma Aula
5) em até uma página.

1) PLATÃO: Diálogos –
Medo de Não-escrever.
(Sócrates e Fedro encontram-se numa rua de Atenas.)
SÓCRATES: – Meu caro Fedro! Para onde vais e de onde vens?
FEDRO: – Venho, caro Sócrates, da casa de Lísias, o filho de Céfalo. Vou dar um passeio fora dos muros da capital. Estive lá sentado durante muitas horas, desde a madrugada. Obedecendo à prescrição do nosso amigo Acumeno, costumo passear fora dos muros, pois diz ele que tais passeios são muito salutares.
SÓCRATES: – Acumeno tem razão, meu caro. Mas, pelo que vejo, Lísias se encontra na capital.
FEDRO: – Sim, está em casa de Epícrates, que mora no edifício de Mórico, próximo ao tempo do Olimpo.
SÓCRATES: – Qual foi o assunto de vossa conversa? Ou porventura Lísias vos terá banqueteado com os seus discursos?
FEDRO: – Eu te contarei, se tiveres tempo para me acompanhar.
(Diálogos: Mênon, Banquete, Fedro.Trad. Jorge Paleikat. RJ, POA, SP: Globo, 1962. Fedro, p.191.)

2) NIETZSCHE: O nascimento da tragédia –
O sabordage (naufrágio de um desejo) de um escritor esquizo.
1.
Teremos ganho muito a favor da ciência estética se chegarmos não apenas à intelecção lógica mas à certeza imediata da introvisão [Anschauung] de que o contínuo desenvolvimento da arte está ligado à duplicidade do apolíneo e do dionisíaco, da mesma maneira como a procriação depende da dualidade dos sexos, em que a luta é incessante e onde intervêm periódicas reconciliações. Tomamos essas denominações dos gregos, que tornam perceptíveis à mente perspicaz os profundos ensinamentos secretos de sua visão da arte, não, a bem dizer, por meio de conceitos, mas nas figuras penetrantemente claras de seu mundo dos deuses.
(O nascimento da tragédia ou helenismo e pessimismo. Trad. J. Guinsburg. SP: Companhia das Letras, 1992, p.27.)

3) NIETZSCHE: Ecce homo –
O escritor pesquisador e a via da Ociosidade.
PRÓLOGO
1.
Prevendo que dentro em pouco devo dirigir-me à humanidade com a mais séria exigência que jamais lhe foi colocada, parece-me indispensável dizer quem sou. Na verdade já se deveria sabê-lo, pois não deixei de “dar testemunho” de mim. Mas a desproporção entre a grandeza de minha tarefa e a pequenez de meus contemporâneos manifestou-se no fato de que não me ouviram, sequer me viram. Vivo de meu próprio crédito; seria um mero preconceito, que eu viva?... Basta-me falar com qualquer “homem culto” que venha à Alta Engadina no verão para convencer-me de que não vivo... Nessas circunstâncias existe um dever, contra o qual no fundo rebelam-se os meus hábitos, e mais ainda o orgulho de meus instintos, que é dizer: Ouçam-me! Pois eu sou tal e tal. Sobretudo não me confundam!
(Ecce homo: como alguém se torna o que é. Trad. Paulo César de Souza. SP: Companhia das Letras, 1995, p.17.)

4) CHATEAUBRIAND: Mémoires d’outre-tombe –
A solução fantasmática do Vazio.
Como me é impossível prever o momento do meu fim; e como, na minha idade, os dias que ainda restam para viver não são mais do que dias de graça, ou melhor de rigor, vou, mesmo com o temor de ser surpreendido [pela morte], explicar-me sobre um trabalho destinado a enganar, por esforço próprio, o tédio dessas horas derradeiras e abandonadas, que ninguém valoriza e nem sabe o que fazer com elas. As Memórias, na cabeça daqueles que lerão esse prefácio, iluminam ou iluminarão o curso inteiro de minha vida. Elas iniciam no ano de 1811 e prosseguem até os dias de hoje. Nelas, eu contarei aquilo que já aconteceu e, também, aquilo que ainda não terminou, tal como: minha infância, minha educação, minha juventude, minha entrada em serviço, minha chegada em Paris, minha apresentação a Louis XVI, as primeiras cenas da Revolução, minhas viagens à América, minhas voltas pela Europa, minha imigração na Alemanha e na Inglaterra, meu retorno à França, por meio do consulado, minhas ocupações e minhas obras sob o Império, meu curso em Jerusalém, minhas ocupações e obras sob a Restauração; enfim, a história completa dessa Restauração e de sua queda.
(Mémoires d’outre-tombe (Extraits). Trad. Sandra Mara Corazza. Paris: Larousse, 1938, p.12.)

5) MONTAIGNE: Ensaios –
O Wu-wei (Não-Agir) ou a Bricolagem?
Não se trata de aprender os preceitos desses filósofos, e sim de lhes
entender o espírito. Que os esqueça à vontade, mas que os saiba
assimilar. [...] As abelhas libam flores de toda espécie, mas depois
fazem o mel que é unicamente seu, e não do tomilho ou da
manjerona. Da mesma forma, os elementos tirados de outrem, ele os
terá de dissimular e misturar para com eles fazer obra própria, isto é,
forjar sua inteligência.
[...]
Ora, para exercitar a inteligência, tudo o que se oferece aos nossos
olhos serve suficientemente de livro: a malícia de um pajem, a
estupidez de um criado, uma conversa à mesa, são, como tantos
outros, novos assuntos. Por isso, o comércio de homens é de
evidente utilidade, assim como a visita a países estrangeiros; não
para nos informar [...] mas para observar os costumes e o espírito
dessas nações e para limpar e polir nosso cérebro ao contato dos
outros.
(Ensaios. Trad. Sérgio Milliet. Brasília: Edit. Univ. de Brasília; Hucitec, 1987, p.216; p.219.)

6) PASCAL: Pensamentos –
O Texto: escrever como verbo Intransitivo.
ARTIGO I
Pensamentos sobre o espírito e sobre o estilo
1 – Diferença entre o espírito de geometria e o espírito de finura – Num os princípios são palpáveis, mas afastados do uso comum; de maneira que, por falta de hábito, custa-nos virar a cabeça para esse lado: por pouco, porém, que nos viremos, vemos em cheio os princípios; e seria preciso ter o espírito inteiramente falso para raciocinar mal sobre princípios tão grandes que é quase impossível nos escaparem. Mas, no espírito de finura, os princípios são de uso comum, aos olhos de todo mundo. Basta virar a cabeça, sem nenhum esforço; trata-se somente de ter boa vista, mas que seja boa, pois os princípios são tão sutis e em tão grande número que é quase impossível não nos escaparem alguns. Ora, a omissão de um princípio leva ao erro; assim, é preciso possuir a vista bem clara para ver todos os princípios e também o espírito justo para não raciocinar erroneamente sobre princípios conhecidos.
(Pensamentos. Trad. Sérgio Milliet. SP: Abril Cultural, 1979, p.37.)

7) ROUSSEAU: Os devaneios do caminhante solitário –
A bariolage (poikílos: misturado, manchado, sarampitado; o Rapsódico, o costurado) e a Tendência de Escrever.
PRIMEIRA CAMINHADA – Outono de 1776
Eis-me, portanto, sozinho na terra, tendo apenas a mim mesmo como irmão, próximo, amigo, companhia. O mais sociável e o mais afetuoso dos humanos dela foi proscrito por um acordo unânime. Procuraram nos refinamentos de seu ódio que tormento poderia ser mais cruel para a minha alma sensível e quebraram violentamente todos os elos que me ligavam a eles. Teria amado os homens a despeito deles próprios. Cessando de sê-lo, não puderam senão furtar-se ao meu afeto. Ei-los, portanto, estranhos, desconhecidos, inexistentes enfim para mim, visto que o quiseram. Mas eu, afastado deles e de tudo, que sou eu mesmo? Eis o que me falta procurar. Infelizmente, essa procura deve ser precedida por um exame da minha situação. É uma idéia por que devo necessariamente passar para chegar deles a mim.
(Os devaneios do caminhante solitário. Trad. Fúlvia M.L.Moretto. Brasília: Edit. Univ. de Brasília, 1995, p.23.)

Demônio MARA

Mara/Demônio Mara em sânscrito. Tudo o que obstrui a aquisição da libertação ou da iluminação. Há quatro tipos principais: demônio delusões, demônios agregados contaminados, demônio morte descontrolada, demônios Devaputra. Só os Devaputras são seres sencientes. O principal deles é o Ishvara irado, o mais elevado dos deuses do reino do desejo, que mora na Terra Controladora de Emanações. Buda é chamado de Conquistador por ter derrotado esses quatro tipos de demônios. Consultar Coração de sabedoria e Oceano de néctar.

2009 - IN MEDIA VITA (Nietzsche, A gaia ciência, IV, 324, p.215)

- Não, a vida não me desiludiu! A cada ano que passa eu a sinto mais verdadeira, mais desejável e misteriosa -desde aquele dia em que veio a mim o grande liberador, o pensamento de que a vida poderia ser uma experiência de quem busca conhecer - e não um dever, uma fatalidade, uma trapaça!

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Au peuple

Au peuple qui manque: une vitalité désespérée!

Vita Nova

1. A fantasia é um roteiro,
um filme com tomadas fixas,
um guia iniciático.

2. Escrever como:
prática radical,
loucura de trabalho,
gênero de vida.

3. A idéia de Obra está ligada
à idéia de uma Ruptura de Vida,
de uma Renovação do Gênero de Vida,
da Organização de uma Nova Vida:
Vita Nova (ou Vita Nuova).

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Una disperata vitalità//Pasolini, texto; foto, Tibola; imagem, C.

Una disperata vitalità//Pasolini, texto; foto, Tibola; imagem, C.
Amo la vita così ferocemente, così disperatamente, che non me ne può venire bene: dico i dati fisici della vita, il sole, l´erba, la giovinezza:... e io divoro, divoro, divoro... Come andrà a finire, non lo so.»

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